Rio de Janeiro, 26 de Março de 2013
Hoje acordei mais disposta, sei lá, acho
que estava pressentindo algo bom, ou simplesmente tive uma boa noite de sono.
Mas ainda estou inquieta, porque eu queria muito estar trabalhando, mas o
Robson não deixa. Bem, não é questão dele mandar em mim, mas ele me pediu pra
ficar em casa por uns meses e ter a experiência de ser sustentada por um homem
(bem, ele falou marido, mas eu ainda não estou acostumada com essa ideia. Que
ele não leia isso!). Bem, esse é nosso terceiro mês morando juntos e o quinto
de namoro. Eu nunca tinha morado com ninguém, pra mim ainda é esquisito tudo:
tanto a convivência quanto ser dona de casa. Mas enfim...
Estava assistindo séries quando a
campainha tocou: Eram flores, que mandaram pra mim, mas não eram flores comuns,
eram frésias. Um belo buquê, apesar de serem flores simples. Pensei que eram do
Robson, mas ele preferia me presentar com outras coisas, tipo chocolates,
vinhos, etc. Me passaram mil coisas pela cabeça até eu me lembrar de olhar o
bendito bilhete:
“A cada rua que passo, a cada frésia que vejo, sinto um pedacinho de você.
Faz muito tempo que não a vejo, quando
finalmente achei você através do escritório em que você trabalhava. Desculpe o
incômodo, pois não sei como está sua vida hoje e, se estiver livre, contate-me.
Do contrário, apenas desconsidere tanto o bilhete quanto as flores, para não
lhe causar problemas.
Ainda penso em você todos os dias...
Carinhosamente
Kléber.”
Eu fiquei muito nervosa, comecei a suar
frio e me sentei no sofá. Eu não queria cheirar aquelas flores, ou mesmo
encostar nelas. As deixei em cima da mesa e fiquei olhando pra elas, trêmula.
Ele não devia ter ressurgido agora...
Kléber foi meu primeiro namorado, meu primeiro amor... Eu tinha apenas 15 anos, e na minha festa de aniversário ele foi meu princepe, no baile. Minha mãe aprovava nosso namoro, saíamos juntos, nos divertíamos... Até que um dia ele teve que ir embora: Seu avó havia falecido, e a mãe dele era a única herdeira das terras no Rio Grande do Sul. Ele teria de viajar em breve, e eu tinha de fazer algo inesquecível para que eu nunca saísse da cabeça e da vida dele.
Kléber foi meu primeiro namorado, meu primeiro amor... Eu tinha apenas 15 anos, e na minha festa de aniversário ele foi meu princepe, no baile. Minha mãe aprovava nosso namoro, saíamos juntos, nos divertíamos... Até que um dia ele teve que ir embora: Seu avó havia falecido, e a mãe dele era a única herdeira das terras no Rio Grande do Sul. Ele teria de viajar em breve, e eu tinha de fazer algo inesquecível para que eu nunca saísse da cabeça e da vida dele.
Combinamos de fazer nossa primeira vez ser
inesquecível. Fomos a um acampamento com a galera da escola, e acampamos mais
longe da galera, perto a um córrego muito bonito. Passamos o dia bagunçando e à
noite fomos descançar. Foi difícil convencer a professora a nos deixar dormir
longe e juntos, mas por uma grana ela deixou. Kleber arrumou a barraca com
lençóis lindos e, como não tínhamos achado rosas, pegamos frésias mesmo, da
mata, para ornamentar aquele momento.
Começamos a descobrir o corpo um do outro
delicadamente, com muitos beijos e muitos amassos, tirando lentamente a roupa.
Nenhum de nós dois tinha tido ao menos contato com pornografia, então a gente
não sabia muito, mas o instinto levou a gente a fazer o que tinha de fazer. Ele
me beijava o pescoço enquanto me penetrava lentamente, e aquela mistura de dor
com prazer fez nossa noite ser incrível. Fizemos amor a noite toda, com muito
carinho e paciência, descobrindo como gozar é maravilhoso!
Ele foi embora e levou um pedaço de mim.
Entrei em depressão profunda, chorava, não comia, até que ele veio uma vez me
ver, em 2004. Ficamos a semana toda juntos, novamente, fazendo amor
carinhosamente, como na primeira vez. Supliquei para que ficasse comigo, porque
ele era o homem que eu amava, mas ele não podia. Ele já estava com uma empresa
lá, não podia abandonar tudo e ficar comigo, e eu não podia largar minha
carreira de contadora para ir com ele. Essa última despedida doeu muito mais
que a primeira.
Agora, me vejo voltando tudo de novo, mas
na melhor fase da minha vida, quando estou tentando amar alguém novamente. Não
posso mais viver assim, não sei se ele vem apenas para um fim de semana, ou se
vem morar aqui... Eu sei que não quero mais isso pra mim, e estou ótima como
estou.
Quando me tranquilizei me levantei da
cadeira, peguei as flores e dei longas cheiradas nas flores, lembrando
exatamente como foi aquela noite, e depois coloquei na varanda. O cartão eu
joguei fora. Não preciso dele...
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